quarta-feira, 29 de abril de 2009

Morre lentamente

Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve musica,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
quem destroi o seu amor proprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajeto,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor,
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
quem faz da televião o seu guru.

Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco,
e os pontos sobre os i’s em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos,corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da má sorte
ou da chuva que cai incessante.

Morre lentamente
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.


Somente a perseverança fará com que  conquistemos um estágio esplendido de felicidade!

Pablo Neruda

 

É preciso dizer mais alguma coisa?
Vive a vida!! Vive um dia de cada vez! =)

3 comentários:

Cat disse...

Pablo Neruda, Pablo Neruda :') adoro!

Intruso disse...

:)

miúda gira disse...

Adoro este poema do Pablo Neruda. Tenho-o há anos escrito no meu caderno de apontamentos.