Ontem, mesmo antes de adormecer, acendeu-se aqui uma luzinha e eu percebi umas coisas.
Desde sempre que pôr por escrito aquilo que sinto, não é o meu forte, nem o que sinto nem o que quer que seja, que o digam as minhas professoras de português que tinham de corrigir as minhas composições. Com o tempo a coisa foi melhorando e agora quando estou inspirada até já escrevo umas coisinhas, mas sentimentos, emoções e afins, nem a falar quanto mais a escrever…
No meu curso, na minha escola, quando estou em estágio tenho de escrever uns textinhos muito giros, intitulados “Diários de Aprendizagem” , em que temos de descrever uma situação vivida em estágio, escrever o sentimos durantes e após a mesma e depois complementar com fundamentação teorica. Ora, só o nome já desmotiva, porque apesar de não terem de ser feitos mesmo todos os dias, obriga-nos a “aprender” (leia-se trabalhar e pesquisar) todos os dias. Aqui acendeu a primeira luz: eu não gosto de os fazer, porque não tenho jeito, expressar-me por escrito nunca foi comigo!!
Até aqui tudo bem, a luz não foi muito forte, só que depois disto lembrei-me de um acontecimento da minha adolescência: “dá-me um beijo”, uma frase normal, porém no contexto em que foi dita marcou. Porque raio é que ele tinha que ter dito aquilo?? Porque é que não deu o beijo simplesmente? Enfim, ele não sabia deste meu medo das palavras. Não sabia ele, nem eu, agora é que tomei consciência dele.
Algumas coisas quando são postas em palavras (escritas ou faladas) assustam-me, porque quando isso acontece aquilo que estou a pensar ganha forma, torna-se realidade… Está bem, uma pessoa normal diria que isso é bom, mas eu sou complicada e tenho medo de me magoar se algumas se tornarem realidade, o que é que querem?!